Eua vs China (de novo) - Resenha crítica - 12min Originals
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Eua vs China (de novo) - resenha crítica

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Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

Dizem que o poker é um dos jogos mais complexos do mundo: você pode ter as piores cartas e ainda vencer, desde que você faça o outro acreditar que você tem as melhores. É mais ou menos isso que está acontecendo agora entre Trump e Xi Jinping, que devem se sentar à mesa em breve numa cúpula presidencial. Só que nessa mão, as fichas não são de plástico. São refinarias, petroleiros, leis, e o preço do combustível que move metade da economia global.

Os dois países vão se sentar à mesa em breve, numa cúpula presidencial entre Trump e Xi Jinping. E nos dias que antecederam esse encontro, cada um deles fez um movimento que parece diplomático mas é, na prática, um tapa com luva de pelica.

Deixa eu explicar desde o começo.

O Irã exporta petróleo. Não pode exportar livremente porque está sob sanções americanas há décadas. Mas exporta do mesmo jeito, de forma discreta, principalmente para a China. São cerca de um milhão e quatrocentos mil barris por dia, vendidos com desconto de oito a dez dólares abaixo do preço de mercado. Para quem compra em escala, esse desconto é dinheiro de verdade.

A China compra quase noventa por cento do petróleo iraniano que sai do país. E faz isso por um motivo simples: mais de setenta por cento do petróleo que consome vem de fora. Com uma economia que fabrica praticamente tudo que o mundo usa, energia barata é a diferença entre competir e perder.

Os Estados Unidos sabem dessa equação há muito tempo. E em vez de atacar a China diretamente, o que geraria uma crise diplomática instantânea, decidiram atacar a mais importante veia.

O plano funciona assim: bloqueio naval ao Irã, impede os petroleiros de carregar, os tanques de armazenamento enchem, e quando enchem de verdade, o Irã não tem outra saída senão parar de produzir. Parar de produzir petróleo por tempo prolongado não é como desligar uma torneira e ligar de volta. O equilíbrio de pressão dos poços pode ser danificado de forma permanente, e recuperar a produção anterior pode levar anos. O Secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse isso abertamente em maio de dois mil e vinte e seis: o terminal de Kharg Island, que processa noventa por cento das exportações iranianas, estava chegando ao limite de capacidade e os poços seriam fechados em questão de dias.

Mas o Irã, sozinho, não é o alvo final. A mensagem estava endereçada a Pequim.

Sem petróleo iraniano barato, a China precisa comprar no mercado aberto, a preço cheio. Os custos de produção sobem. As exportações ficam mais caras. A vantagem competitiva que sustenta o modelo industrial chinês começa a derreter na borda.

Aí veio o segundo movimento americano: sancionar a Hengli, uma refinaria privada em Dalian, no nordeste da China. Uma empresa enorme, mas privada. Não estatal. A escolha não foi por acaso. Sancionar uma empresa do governo chinês seria um ato de guerra econômica declarada. Sancionar uma empresa privada é uma mensagem: se você continuar comprando petróleo iraniano, haverá um custo. A porta de saída ainda está aberta.

A China não saiu pela porta. Ela fez um buraco na parede.

Em maio de dois mil e vinte e seis, o Ministério do Comércio da China ativou pela primeira vez uma lei que havia sido criada em dois mil e vinte e um e nunca usada. A Lei Anti-Sanções Estrangeiras. O decreto foi direto: as sanções americanas contra a Hengli e outras quatro refinarias são inválidas em território chinês. Nenhuma empresa que opere na China é obrigada a cumpri-las. Quem cortar negócios com essas refinarias para obedecer Washington pode ser processado nos tribunais de Pequim.

Para entender o peso disso, pense num condomínio em que o síndico proíbe festa depois das dez. E um dos moradores não só faz a festa como posta no grupo dizendo que as regras do síndico não valem dentro do apartamento dele e quem chamar a polícia vai ter que pagar o conserto da porta. Esse é o nível da resposta.

O efeito prático é devastador para o sistema de sanções americano, que funciona porque quase todo mundo obedece para não perder acesso ao sistema financeiro em dólar. A China acabou de dizer que qualquer banco, seguradora ou transportadora internacional que operar no mercado chinês tem que escolher: cumpre as sanções americanas ou mantém acesso ao mercado da segunda maior economia do mundo.

Essa não é uma jogada improvisada. A China acompanhou de perto o que aconteceu com o Japão em mil novecentos e oitenta e cinco.

Naquele ano, as potências do G cinco se reuniram no Plaza Hotel em Nova York e assinaram um acordo que valorizou artificialmente o iene em relação ao dólar. O iene passou de duzentos e quarenta por dólar para cento e vinte em dois anos. O exportador japonês que ganhava duzentos e quarenta ienes por dólar de produto vendido passou a ganhar a metade. As exportações murcharam, o governo japonês injetou dinheiro na economia para compensar, criou uma bolha de ativos monumental, e quando a bolha estourou, o Japão entrou em décadas de estagnação que os economistas chamam até hoje de as Décadas Perdidas. O país demorou trinta anos para recuperar os níveis de bolsa de mil novecentos e noventa.

A China assistiu a esse filme com atenção. O princípio estratégico que guia Pequim desde então é simples: nunca repetir o erro do Japão. Nunca aceitar pressão econômica americana que comprometa o pilar de manufatura e exportação. Com o setor imobiliário já desacelerado desde o estouro da crise da Evergrande, a produção industrial é o único motor de crescimento que resta com força. Abrir mão da energia barata que sustenta esse motor seria caminhar voluntariamente para Tóquio em mil novecentos e noventa.

Então o decreto de maio de dois mil e vinte e seis não é só uma resposta jurídica. É uma declaração de princípio: esse limite não será cruzado.

Os caminhos possíveis do confronto e como se proteger.

O contexto imediato é a cúpula Trump-Xi, que deve acontecer em breve. E essa cúpula muda o cálculo de tudo.

Nenhum dos dois líderes chega a esse encontro querendo ser visto como quem recuou. Trump chegará com o bloqueio ao Irã ativo e as sanções na Hengli como demonstração de força. Xi chegará com o decreto anti-sanções ativado e a lei de dois mil e vinte e um funcionando pela primeira vez. Os dois sentarão à mesa com a faca em cima da mesa, mas nenhum dos dois quer usar a faca de verdade.

O cenário mais provável, à luz do que aconteceu nos meses anteriores, é uma trégua setorizada. Os EUA aceitam algum nível de alívio tarifário em troca de compromissos chineses em áreas como fentanil ou compras de produtos agrícolas americanos. A questão do petróleo iraniano provavelmente ficará numa zona cinza deliberada, sem resolução formal. Os dois lados preservam a narrativa de vitória para o público interno.

O cenário de escalada existe, mas é o menos interessante para ambos agora. Se os EUA expandirem sanções para bancos estatais chineses, a China tem ferramentas já testadas: controles sobre exportação de terras-raras, materiais críticos para semicondutores, veículos elétricos e equipamentos de defesa. Em dois mil e vinte e cinco, a China usou essa ferramenta e forçou os EUA a negociar em semanas. A suspensão desses controles expira no fim de dois mil e vinte e seis, o que significa que a ameaça está sempre sobre a mesa.

O Brasil é um exportador de commodities e está no meio desse tabuleiro de formas que nem sempre aparecem no noticiário.

Primeiro: o preço do petróleo. Com o bloqueio ao Irã e a guerra em curso, o barril rondou cento e dez dólares. A Petrobras, que é exportadora, se beneficia diretamente de preços altos. Ações e fundos ligados ao setor de óleo e gás tendem a se valorizar nesse ambiente. O risco é a duração: se houver um acordo diplomático e o petróleo cair bruscamente, quem entrou no pico perde.

Segundo: o real. O dólar tende a se fortalecer em momentos de tensão geopolítica, o que pressiona o câmbio e encarece importações. Quem tem exposição em dólar ou em ativos dolarizados tem uma proteção natural nesse ambiente.

Terceiro: o Brasil como alternativa de fornecimento. Com a China buscando diversificar fornecedores de petróleo fora do circuito de sanções, o Brasil virou um destino atrativo. As exportações brasileiras de petróleo para a China cresceram quase trinta por cento em dois mil e vinte e cinco. Isso sustenta o fluxo de dólares para o país e pode manter o real relativamente estável mesmo num ambiente externo turbulento.

Quarto: o risco de contágio financeiro. Se a tensão escalar e bancos internacionais forem forçados a escolher entre o sistema americano e o chinês, mercados emergentes como o Brasil podem sofrer saída de capital por pura aversão ao risco. Nesse cenário, ter parte do portfólio em ativos reais, ouro ou exposição ao dólar funciona como seguro.

O que não fazer: entrar em pânico com as manchetes e vender tudo. O padrão histórico desses confrontos, desde a guerra comercial de dois mil e dezoito, é que os dois países chegam perto da borda, olham para baixo, e negociam uma saída. O risco real não é a guerra total. É a guerra de baixa intensidade que dura anos e reorganiza silenciosamente as cadeias de fornecimento do mundo.

E nessa reorganização, o Brasil tem um lugar para ocupar, se souber onde está sentado.

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